Marina Silva e Sara Parkin

Marina Silva: será que ela conseguirá unir princípios e política?

Por Sara Parkin

Quando estive no Brasil no início deste ano (2014) para promover a versão em português de “O Divergente Positivo” (editado pelo Instituto Jatobás), jantei com Marina Silva, que então considerava a possibilidade de juntar-se ao PSB Partido Socialista Brasileiro como vice do candidato Eduardo Campos para as eleições de Outubro. Subsequentemente, ela decidiu que sim e, depois do falecimento de Campos no acidente aéreo em Agosto, tornou-se não somente candidata à Presidência da República, como esperava vencer a ocupante do cargo,  Dilma Roussef, no Segundo turno da eleição. A popularidade de Marina provém da reputação de política e ativista com princípios. Mas, será que seus princípios podem avançar num país onde a linha entre o pragmatismo e a corrupção é tênue, para se dizer o mínimo? Uma questão que tem incomodado os líderes por milênios.

Tardiamente, a campanha para manter a Escócia no Reino Unido nos lembrou que teorias visionárias despertam interesse, mas a realidade na implementação não. Ignorou a queixa do ex governador de Nova Iorque Mario Cuomo, de que “você deve fazer a campanha em poesia, mas, governar em prosa.” Como advogado e senador, o Presidente dos Estados Unidos Barak Obama sabia disso desde o primeiro dia. Embora o julgamento da prosa de seu governo possa não ter acontecido ainda, é improvável que teria sido eleito sem a poesia de sua campanha  baseada na “esperança”.

Marina Silva oferece uma nova estratégia de liderança política. Ela tem sido cuidadosa para fazer sua campanha em “prosa-poética”. O sentimento poético está lá, entretanto em prosa de propostas cuidadosamente pensadas e acima de tudo moderadas, profundamente enraizadas em nos compromissos para  proteção ambiental e justiça social. Se for eleita, ela diz que vai evitar a usual coalizão para barganhas. Ao invés de negociações políticas “atrás de portas”, ela buscará obter apoio caso a caso, usando mídias sociais para encorajar os cidadãos para a ajudar convencer os representantes eleitos. Segura com a lógica de suas propostas, Marina supera seus oponentes nos debates na TV e embates de campanha, atraindo eleitores de diferentes idades, escolaridades e classes econômicas.

Parte da sua popularidade vem do seu histórico. Marina foi senadora pelo Acre por 16 anos, pelo Partido dos Trabalhadores (do qual foi co-fundadora) do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Lula), e, como Ministra do Meio Ambiente do Governo Lula, persuadiu a todos os outros ministérios a apoiarem seu programa para interromper o desmatamento na Amazônia. Quando renunciou em protesto contra outras políticas que contrariavam diretamente seus objetivos, sua integridade a premiou com 20% de votos nas eleições presidenciais seguintes (mas não o suficiente para levá-la ao segundo turno).

Quando nos encontramos, conversamos muito sobre os desafios e estratégias para exercer o poder de maneira ética, especialmente, nos sistemas enfermos que nos cercam. E como permanecer fiéis, quando o objetivo é a re-priorização radical a favor da preservação ambiental. Eu a achei muito reflexiva e realista, brilhante em sua sensibilidade e comprometimento.

Ela luta em um Brasil saturado de processos políticos doentios e comprometidos e, por isso, pronto para dar aos princípios de  Marina Silva uma chance para realizar o sonho de Mario Cuomo (e aos divergentes positivos) de um “governo forte o suficiente para usar palavras como ‘amor‘ e ‘compaixão‘, e inteligente o suficiente para converter nossas mais nobres aspirações em realidades práticas.”

Publicado originalmente em saraparkin.org

Auditório Abril

Sara Parkin e a era da economia colaborativa

sustentabilidade exige a união de todos. Somente várias mentes pensantes juntas conseguem chegar a soluções criativas e inovadoras. É o conceito de compartilhamento de ideias – a busca pela economia colaborativa e compartilhada.

A opinião é de Sara Parkin, autora do livro O Divergente Positivo, Fábio Barbosa, presidente executivo da Abril S.A. Os dois participaram de bate-papo, mediado porMatthew Shirts, coordenador editorial do Planeta Sustentável, realizado no auditório da Editora Abril, em São Paulo, no dia 24/03. Continue lendo

Sara Parkin à Folha: a importância de mulheres líderes

Em entrevista para a Folha de S.Paulo, Sara Parkin ressalta a importância das mulheres líderes para o desenvolvimento de lideranças em sustentabilidade.

Sara Parkin em Foto para a Folha de São Paulo

Sara Parkin em Foto para a Folha de São Paulo

CARROS SUCATA

Um guia para sua empresa vender… menos

SARA PARKIN AJUDA GRANDES NEGÓCIOS A ENXERGAR UM FUTURO ONDE NÃO TERÃO A OBRIGAÇÃO DE CRESCER INDEFINIDAMENTE

Sara Parkin é uma das principais cabeças tentando mostrar às empresas o caminho para um futuro menos dependente do carbono e de vendas cada vez maiores. “Precisamos nos afastar do modelo que se baseia no pressuposto de que iremos consumir sempre mais e as empresas vão crescer para sempre, simplesmente porque isso não é possível”, afirma. No Forum For The Future, que fundou, ela promove discussões com marcas como Pepsico, Unilever e Nike sobre como tornar mais sustentáveis suas cadeias de produção e modelo de negócios. Em visita ao Brasil para promover seu novo livro, “O Divergente Positivo” (Ed Peirópolis), Sara falou ao site de Época NEGÓCIOS sobre nossos problemas de energia e crescimento baseado em consumo, elegeu uma multinacional exemplar em mudança de mentalidade e contou experiências inspiradoras que tem feito no Reino Unido e na Europa.

Muitos empregos no Brasil estão ligados a carros e combustíveis. Como mudar sem causar um colapso?
Acho que a mudança não vai ser planejada, vai ser meio bagunçada. Os ingleses costumavam ser grandes produtores de carros, isso mudou. Existe uma série de empregos que serão necessários na nova economia, há tanto por se fazer. Por outro lado, a indústria de carros nos EUA teve de ser resgatada na crise, por ser, como você disse, um empregador tão crítico. Mas a crise nos mostrou o quão frágil é essa economia. O que levanta a questão: por que esses setores têm tanto poder? Continue lendo